quarta-feira, 22 de abril de 2015

Escola promete emprego em nome de programa estadual, dizem mães



Escola de idiomas promete emprego em nome de programa estadual, dizem mães

Ao chegar à unidade em Mogi, pais recebem proposta de curso pago. Secretaria do Emprego afirma não ter vínculo com escola.


Mães de estudantes reclamam de uma escola de idiomas e informática, em Mogi das Cruzes, que liga para casas onde vivem adolescentes e afirma ser do programa Meu Primeiro Trabalho, do governo do Estado, que encaminha jovens ao mercado de trabalho. Ao chegar à escola, as mães contaram ter sido informadas que os filhos não tinham a qualificação necessária e que precisariam pagar cursos de idiomas ou informática. A Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho do Estado de São Paulo (SERT) negou qualquer vínculo com a escola e disse em nota que não cobra qualquer valor para treinamentos e qualificações oferecidos pelos programas na pasta. As mães ouvidas na reportagem não fizeram o pagamento.

A dona de casa Fernanda Santana de Lima, de 33 anos, encaminhou a denúncia pela ferramenta colaborativa
VC no G1. Segundo ela, no dia 6 de abril a empresa entrou em contato por telefone, convidando o filho de 16 anos para uma entrevista de emprego. “Eles sabiam que tinha um adolescente de 16 anos em casa. Disseram que era uma seleção do programa Meu Primeiro Trabalho e citaram duas empresas grandes de Mogi. Ofereceram um cargo de auxiliar administrativo com salário inicial de R$ 910 e benefícios. Meu filho é deficiente, e ficou feliz com a possibilidade da vaga, mas cheguei no local marcado e comecei a desconfiar do golpe”, disse.

As entrevistas são feitas em uma escola de idiomas e informática na Rua Coronel Souza Franco, no Centro. “Cheguei na escola e vi vários adolescentes com a mesma idade do meu filho, acompanhado dos pais. Achei muito estranho porque esperava que a entrevista fosse ou na empresa, ou numa agência de emprego, no mínimo. Preenchi uma ficha, e fiquei mais de 20 minutos esperando um retorno. Comecei a conversar com as outras mães, que estavam muito nervosas e elas disseram que os funcionários levavam as fichas para outra sala. Eles voltavam dizendo que o adolescente não tinha capacitação suficiente para a vaga e que deveríamos fazer a matrícula em um curso de inglês ou informática”, reclamou.

Uma outra mãe, que pediu para não ter o nome revelado, disse que também chegou a fazer a inscrição do filho para o cargo e que chegou a ser cobrada de uma taxa de R$ 380. “Disseram que o conhecimento em informática que o meu filho tinha era insuficiente para a vaga e por isso iam me ajudar com um material didático e um curso. As taxa de R$ 380 e as próximas mensalidades seriam descontadas do pagamento do meu filho, do emprego que eles prometiam arrumar. Eu disse que não tinha dinheiro ali e que precisava ir em casa para pegar. O funcionário falou que tinha que ficar meu marido e meu filho ali na sala com ele e eu sair sozinha pra pegar. Me intimidou, dizendo que eu não poderia sair da escola sem pagar a taxa. Eu peguei minhas coisas e sai depois de duas horas na escola”, contou.

A desempregada Sulamita Viana do Nascimento saiu do bairro Miguel Badra, em Suzano, acreditando ter conseguido uma vaga de emprego para o filho, gastou tempo e dinheiro com o transporte até a escola. “Me ligaram dizendo que era do programa Meu Primeiro Emprego, que ele participaria de uma entrevista. Chegando no local, disseram que ele só seria encaminhado para alguma vaga, se fizesse primeiro um curso de inglês e espanhol. Só que no contrato de estudo, não falava nada sobre a vaga. Era só sobre o curso, não havia garantia nenhuma de que ele seria encaminhado ao mercado de trabalho. Fiquei com raiva, frustada”, disse.


O G1 tenta contato com a escola por telefone, mas o número divulgado não chega a chamar.

Sem vínculo
Em nota, a Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho (SERT) afirmou que “não tem qualquer vínculo com a escola de idiomas Factus, tão pouco, cobra por qualquer um dos treinamentos e ou qualificação oferecidos pela pasta, ao contrário, o Programa Jovem Cidadão e Meu Primeiro Trabalho oferecem estágio com bolsa-auxílio a jovens que tenham de 16 a 21 anos, que sejam estudantes da rede pública e residam nos municípios da região Metropolitana de São Paulo”.

Já o delegado titular do 1º Distrito Policial, Argentino Coqueiro, informou que até a tarde desta segunda-feira (13), nenhuma mãe havia procurado a delegacia para registrar boletim de ocorrência. “Os pais podem fazê-lo, ou ainda realizar uma denúncia anônima pelo 181 para que possamos investigar”.

Em nota, o Procon de Mogi das Cruzes informou que "pelo nome fantasia e endereço informados, não constam registros de atendimentos ou reclamações relacionados a esta empresa. Apesar disso, o coordenador do Procon, José Antonio Ferreira Filho, lembra que os cidadãos que se sentirem lesados podem procurar a unidade, que funciona na Avenida Avenida Narciso Yague Guimarães, 277, para intermediar a defesa de seus direitos."


fonte: G1

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