sábado, 5 de janeiro de 2013

Idioma é o maior obstáculo para Ciência sem Fronteiras; inscrição vai até 14 de janeiro

Uma ótima e ousada iniciativa, mas que esbarra em problemas básicos, como a baixa proficiência dos alunos brasileiros em idiomas, o que dificulta o acesso às bolsas estrangeiras, e um mercado nacional que não está preparado para receber esses estudantes ao final da temporada no exterior.


É assim que os especialistas enxergam o programa Ciência Sem Fronteiras, iniciativa do governo federal para incentivar a internacionalização do ensino em áreas estratégicas, como a engenharia.
 
Lançado em julho de 2011 pela presidente Dilma Rousseff, o programa tem a meta de oferecer 101 mil bolsas de graduação e pós-graduação até 2015, sendo 75 mil bancadas pelo governo federal e o restante pela iniciativa privada. O programa está com chamada aberta até 14 de janeiro. (Veja como participar aqui).

"A grande dificuldade é a língua. Até na China o inglês é a segunda língua. No Brasil não temos um segundo idioma e essa deficiência vem da educação básica", afirma Helena Nader, presidente da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência). "Os alunos chegam à universidade sem esse conhecimento – eles não leem a bibliografia em inglês indicada nos cursos. É um gargalo na nossa estrutura."

No Ciência Sem Fronteiras, é o candidato quem banca a sua comprovação de proficiência no idioma solicitado para concorrer à bolsa. Ele deve atingir a pontuação exigida pelo edital ao qual concorre. No entanto, caso a nota seja próxima à exigida e o candidato esteja dentro dos outros requisitos, ele poderá, a critério da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), conseguir bolsa para estudar a segunda língua no próprio país de destino. Essas bolsas podem durar de dois a seis meses, antes do início do curso.

Por conta da dificuldade com o segundo idioma, Portugal foi o principal destino dos estudantes brasileiros de graduação bolsistas do Programa Ciência sem Fronteiras. Do total de 12.193 alunos incluídos no programa, praticamente um em cada cinco optou por cursar parte do ensino superior em uma instituição lusitana.

0 comentários:

Postar um comentário

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More